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NAMPULA, Mozambique –  In Mozambique, community and traditional leaders are highly respected and act as guardians of social norms. They can also be powerful allies in deconstructing harmful practices against women and girls in their communities.

With a pile of law handbooks under his arm, Augusto Cabide, 74, a traditional leader from Marere chiefdom in Nampula Province, shares his story. 

“What keeps me going is helping to prevent girls from getting pregnant or married because they are poor. I don’t want this to happen. I really don’t.” - Augusto Cabide, community leader from Nampula province

Last year, Mr. Cabide took part in a training session for traditional leaders on gender-based violence prevention and response at the Integrated Assistance Centre, in Nampula City, northern Mozambique. Since then, he has taken it upon himself to bring change to his community. These centres, called “CAIs” by its Portuguese acronym, are 'one-stop´ centres that allow survivors of violence to report their attacker, seek medical attention and access counselling at a single location, without having to retell their story multiple times or relive their trauma. 

“We received training here at CAI, (...) it was very important to guide our work. We now know that we also play a part in gender-based prevention and response.” 

The centre was rehabilitated and equipped with Spotlight Initiative support, a programme led by the Ministry of Gender, Child and Social Action (MGCAS), funded by the European Union and in partnership with United Nations and civil society organizations. It is one of 24 government-run centres which integrate health, social action, police and justice services under one roof, delivering vital care, especially to women and girls experiencing violence across the country. 

During the training, Mr. Cabide learned about the country’s multisectoral mechanism to respond to gender-based violence, which survivors can access through a number of entry points, such as the Centres for Integrated Assistance, health units, adolescent-friendly services, police stations or justice institutions. 

“The training was very important,” says Mr. Cabide, who is one among over 300 leaders trained by the Spotlight Initiative across the country.

 

Augusto Cabide, community leader from Nampula province, trained under the Spotlight Initiative to prevent gender-based violence and child marriage. Photo: UN Mozambique/Laura Lambo

HELPING SURVIVORS ACCESS SUPPORT AND SERVICES 

Now, Mr. Cabide knows what to do when he receives a report of violence in his community; instead of seeking a settlement through customary practices, Mr. Cabide refers the case to the centre. 

He knows that once there, survivors access lifesaving and integrated support without having to retell their story, revisit their trauma multiple times or travel to different locations, thus improving confidentiality. 

He also knows that cases will be referred to the justice system, increasing the chances of punishing perpetrators and protecting survivors.

“When a case [of violence] is reported to me, and since I don’t have competency to solve it, I refer the case to the centre. I tell other leaders they should do the same,” says Mr. Cabide.  

According to the latest Demographic and Health Survey (DHS 2011), 37 per cent of Mozambican women aged 15 to 49 suffer violence during their lives, and one in two girls marry before 18 – one of the highest child marriage rates in the world.

 

INFLUENCING OTHERS TO END GENDER-BASED VIOLENCE

Despite the prevalence of violence against women and girls in Mozambique, Mr. Cabide remains determined. He knows that he is supported by the government and the law.

“What keeps me going is helping to prevent girls from getting pregnant or married because they are poor. I don’t want this to happen. I really don’t.”

Traditional leaders like Mr. Cabide set a strong example and have a positive influence on their peers.

“Since the training, I have told other leaders about this centre. The Government has invested in it and we need to promote it. There are laws that punish [violence]. This is our centre and it is in our hands.”

Government institutions from the social welfare, health, justice and police sectors, led by the Ministry of Gender, Child and Social Action, are the backbone of the Spotlight Initiative in Mozambique, along with over 20 civil society organizations (CSOs). Together, they have reached more than 1.9 million people, of which over 1.1 million are women and girls across 10 districts of Gaza, Manica and Nampula provinces.

 

By Leonor Costa Neves with reporting by Laura Lambo

Language: 
Portuguese, International
Title: 
A jornada de um líder tradicional para acabar com a violência baseada no género em Moçambique
Body: 

NAMPULA, Moçambique - Em Moçambique, os líderes comunitários e tradicionais são altamente respeitados e actuam como guardiões das normas sociais. Podem também ser poderosos aliados na desconstrução de práticas nocivas contra mulheres e raparigas nas suas comunidades.

Com uma pilha de manuais de Direito debaixo do seu braço, Augusto Cabide, de 74 anos, um líder tradicional de Marere, na província de Nampula, partilha a sua história.

"O que me faz continuar é ajudar a evitar que as raparigas engravidem ou se casem por serem pobres. Não quero que isto aconteça. Não quero mesmo que isto aconteça.", Augusto Cabide, líder comunitário em Nampula

No ano passado, Augusto Cabide participou numa sessão de formação para líderes tradicionais sobre Prevenção e Resposta à Violência Baseada no Género, no Centro de Assistência Integrada (CAI), na cidade de Nampula, norte de Moçambique. Desde então, tomou a iniciativa de trazer mudanças à sua comunidade. Estes centros, funcionam como pontos de “paragem-única" que permitem aos sobreviventes de violência denunciar o seu agressor, procurar cuidados médicos e ter acesso a aconselhamento num único local, sem ter de recontar a sua história várias vezes ou reviver o seu trauma.

"Recebemos formação aqui na CAI, (...) foi muito importante para orientar o nosso trabalho. Sabemos agora que também desempenhamos um papel na prevenção e resposta à violência baseada no género".

O centro foi reabilitado e equipado com o apoio da Iniciativa Spotlight, um programa liderado pelo Ministério de Género, Criança e Acção Social (MGCAS), financiado pela União Europeia e em parceria com as Nações Unidas e organizações da sociedade civil. É um dos 24 centros geridos pelo Governo que integram serviços de saúde, acção social, polícia e justiça sob o mesmo tecto, prestando cuidados vitais, especialmente a mulheres e raparigas vítimas de violência em todo o país.

Durante a formação, o Sr. Cabide tomou conhecimento do mecanismo multisectorial do país para responder à violência baseada no género, a que as sobreviventes podem aceder através de vários pontos de entrada, tais como os Centros de Assistência Integrada, unidades de saúde, serviços amigos dos adolescentes, esquadras de polícia ou instituições de justiça.

"A formação foi muito importante", diz o Sr. Cabide, que é um entre mais de 300 líderes formados pela Iniciativa Spotlight em todo o país.

 

Augusto Cabide, líder comunitário da província de Nampula
Augusto Cabide, líder comunitário da província de Nampula, formado pela Iniciativa Spotlight para prevenir a violência baseada no género e as uniões prematuras. Foto: ONU Moçambique/Laura Lambo

AJUDAR AS SOBREVIVENTES A ACEDEREM A APOIO E SERVIÇOS

Agora, o Sr. Cabide sabe o que fazer quando recebe uma denúncia de violência na sua comunidade; em vez de procurar um acordo através das práticas habituais, o Sr. Cabide remete o caso para o CAI.

Ele sabe que uma vez lá, as sobreviventes têm apoio integrado sem terem de recontar a sua história, revisitar o seu trauma várias vezes ou viajar para locais diferentes, melhorando assim a confidencialidade.

Ele também sabe que os casos serão encaminhados para o sistema judicial, aumentando as hipóteses de punir os perpetradores e de proteger os sobreviventes.

"Quando um caso [de violência] me é relatado, e como não tenho competência para o resolver, encaminho o caso para o centro. Digo aos outros líderes que devem fazer o mesmo", diz o Sr. Cabide. 

De acordo com a última Inquérito Demográfico e de Saúde (DHS 2011), 37 por cento das mulheres moçambicanas entre os 15 e 49 anos de idade sofrem violência durante as suas vidas, e uma em cada duas raparigas casam antes dos 18 - uma das mais altas taxas de casamento infantil do mundo.

 

INFLUENCIANDO OUTROS A ACABAR COM A VIOLÊNCIA BASEADA NO GÉNERO 

Apesar da prevalência da violência contra as mulheres e raparigas em Moçambique, o Sr. Cabide continua determinado. Ele sabe que conta com o apoio do Governo e  Lei.

"O que me faz continuar é ajudar a evitar que as raparigas engravidem ou se casem por serem pobres. Não quero que isto aconteça. Não quero mesmo que isto aconteça".

Os líderes tradicionais como o Sr. Cabide dão um forte exemplo e têm uma influência positiva sobre os seus pares.

"Desde a formação, tenho falado a outros líderes sobre este centro. O Governo investiu nele e nós precisamos de o promover. Existem leis que punem [a violência]. Este é o nosso centro, está nas nossas mãos reencaminhar os casos".

As instituições governamentais dos sectores do bem-estar social, saúde, justiça e polícia, lideradas pelo Ministério de Género, Criança e Acção Social, são a espinha dorsal da Iniciativa Spotlight em Moçambique, juntamente com mais de 20 organizações da sociedade civil (OSC). Juntas, atingiram mais de 1,9 milhões de pessoas, das quais mais de 1,1 milhões são mulheres e raparigas em 10 distritos das províncias de Gaza, Manica e Nampula.

 

Por Leonor Costa Neves com reportagem de Laura Lambo

Image caption: 

Os líderes comunitários trabalham em estreita colaboração com as comunidades e organizações da sociedade civil, sensibilizando as comunidade para as consequências das uniões prematuras e remetendo os casos para as autoridades governamentais nos sectores da saúde, bem-estar social, polícia e justiça. Foto: UNICEF Moçambique/Ricardo Franco